domingo, 12 de dezembro de 2010

Trabalho realizados: Conto "Rumplestilskin"

Rumpelstilskin

Era uma vez um moleiro muito pobre, mas que tinha uma filha bonita. Um dia aconteceu que ele teve a oportunidade de falar com o rei e, para impressioná-lo disse, “eu tenho uma filha que consegue fiar ouro usando palha.”
“Eis aí um talento que me interessa”, respondeu o rei. “Se a sua filha é tão esperta como vc me diz, traga-a para o meu castelo amanhã que vou examiná-la.”
       Quando a moça chegou, ele a levou para um aposento cheio de palha, deu-lhe um carretel e uma roca e disse, “Agora vc vai começar a trabalhar e, se entre agora e amanhã de manhã vc não tiver fiado esta palha em ouro, vc morrerá.”
       Logo após ele trancou a porta firmemente deixando-a sozinha.
       Ali ficou sentada a pobre filha do moleiro, sem saber o que fazer. Ela não tinha ideia de como fiar palha em ouro e ficou com tanto medo que começou a chorar.
       De repente a porta se abriu e entrou um homenzinho que lhe disse, “Boa noite, linda filha do moleiro. Por que choras?”
       “Ah! Respondeu a moça. “Eu tenho que fiar toda esta palha em ouro e não sei como fazê-lo.”
       “O que vc me dará se eu fiá-la para vc?” perguntou o homenzinho.
       “Meu colar”, respondeu a moça.
       O homenzinho pegou o colar, sentou-se na roca e começou a fiar, fiar, fiar. Ele fiou somente três vezes e o carretel estava cheio. Ele trocou por outro carretel e começou a fiar, fiar, fiar; ele fiou somente três vezes e o segundo estava cheio também! Ele fez isso a noite toda até o amanhecer.
       Assim toda a palha foi fiada e todos os carretéis estavam cheos de ouro.
       Assim que o sol surgiu o rei chegou. Quando ele viu todo aquele ouro, ficou extremamente contente. Mas ele era um homem ganancioso e queria mais.
       Levou a filha do moleiro para outro aposento cheio de palha, que era ainda maior do que o primeiro e lhe ordenou que fiasse toda aquela palha em ouro numa noite se quisesse ficar viva.
Quando ela ficou sozinha a moça começou a chorar.
Então a porta abriu-se outra vez. O homenzinho apareceu e disse, “O que vc me dará se eu fiar esta palha em ouro?”
“O anel que tenho no meu dedo,” respondeu a moça.
O homenzinho pegou o anel, sentou-se atrás da roca e quando chegou na manhã seguinte ele tinha fiado toda a palha em ouro brilhante.
O rei ficou contentíssimo ao ver todo esse ouro, mas ele ainda não estava satisfeito. Levou então a filha do moleiro para outro aposento cheio de palha, maior ainda que os dois primeiros e lhes ordenou, “Se vc fiar toda essa palha para mim hoje de noite e, se vc conseguir, vc se tornará minha esposa”.
“Embora ela seja só a filha do moleiro,” ele pensou, “eu não poderia encontrar uma esposa mais rica!”
Quando a moça ficou sozinha, o homenzinho chegou outra vez e disse, “O que vc me dará desta vez se eu fiar a palha em ouro?”
“Eu não tenho mais nada para dar”, respondeu a moça.
“Bem, prometa-me que me dará o seu primeiro filho se você se tornar rainha,” disse o homenzinho.
“Isso nunca acotecerá!” pensou a filha do moleiro.
Mesmo assim, ela prometeu ao homenzinho satisfazer o seu desejo e outra vez ele fiou toda a palha em ouro.
Quando o rei chegou na manhã seguinte e viu todo o ouro, ele mandou preparar a cerimônia e a linda filha do moleiro se tornou a rainha.
Um ano depois, quando ela já tinha esquecido tudo sobre o homenzinho, ela deu a luz a uma linda criança.
Então um dia de repente ele entrou no seu aposento e disse, “Bem, de-me o que vc me prometeu.”
A rainha ficou aterrorizada e ofereceu ao homenzinho todos os tesouros do reino para que não levasse a criança.
Mas o homenzinho disse, “Não, eu não preciso de nenhum tesouro. Vc tem que cumprir com a sua promessa.”
Então a rainha começou a gemer e chorar. O homenzinho ficou com pena dela e disse, “Eu vou lhe dar tres dias. Se dentro desse período vc descobrir o meu nome, eu deixarei vc ficar com a criança.”
Durante toda a noite a rainha pensou sobre todos os nomes que ela tinha escutado e mandou um mensageiro através do país para descobrir todos os nomes que existiam.
Quando o homenzinho chegou no dia seguinte ela começou com Gaspar, Melchior, Baltazar e disse um nome atrás do outro, até que não sabia mais nenhum.
Toda vez que o homenzinho dizia, “Esse não é o meu nome.”
No dia seguinte, ela mandou perguntar na vizinhança toda pelo nome de cada indivíduo e ela repetiu os nomes mais estranhos e raros ao homenzinho.
“Seu nome não é Costelas de vaca, ou Pernil-de-Carneiro, ou Pernas de aranha?” ela disse.
Mas ainda ele respondia, “Esse não é o meu nome.”
No terceiro dia o mensageiro voltou e disse que não tinha sido capaz de descobrir nenhum nome novo.
“Contudo”, ele disse, “quando eu cheguei numa enorme montanha na beira da floresta, onde as raposas e as lebres dizem boa-noite uns aos outros, eu vi uma fogueira acesa em frente a uma casinha. Um homenzinho estranho estava dançando ao redor do fogo. Ele estava pulando num pé só e cantando:

“Faço pão hoje, cerveja amanhã.
A criança da rainha
Trazer vou, depois de amanhã
Como sou sortudo,
A criança será minha,
Pois ninguém adivinha
Que RUMPELSTILSKIN é o meu nome.”

Vc pode imaginar como a rainha ficou encantada quando escutou isso!
Logo em seguida, o homenzinho entrou e lhe perguntou, “Qual é o meu nome?”
Ela respondeu, “O seu nome é Harry?”
“Não.”
“O seu nome é Bert?”
“Não.”
Então a rainha deu uma risada e disse, “Por acaso o seu nome é... RUMPELSTILSKIN? 
“Deve ter sido o diabo que lhe contou isso!” “Deve ter sido o diabo que lhe contou isso!” gritou o homenzinho.
E, na sua ira, ele bateu com o pé direito com tanta violência no chão que desapareceu através da terra e nunca mais foi visto oura vez!


FIM



Analise do Conto a partir do texto: “Os Contos de Fadas vivem até hoje...”


O texto de RUMPELSTILSKIN dos irmãos Grimm é um conto de fadas que vive até os dias de hoje, pois como explica Vera Teixeira de Aguiar: os contos de fadas mantêm uma estrutura fixa. Parte de um problema vinculado a realidade, que desequilibra a tranqüilidade inicial. O desenvolvimento é uma busca de soluções, no plano da fantasia, com a introdução de elementos mágicos. A restauração da ordem acontece no desfecho da narrativa, quando há uma volta ao real. Por sua vez, os autores de um lado demonstram que aceitam o potencial imaginativo infantil e, de outro, transmitem à criança a idéia de que ele não pode viver indefinidamente no mundo da fantasia, sendo necessário assumir o real, no momento certo. E essa característica marcante dos contos de fadas é que dar consistência para que os contos de fadas perpetuem até os dias de hoje.
O conto de RUMPELSTILSKIN fala do medo, quando a menina se ver, na até então, impossível missão de transformar palhas em ouro, e quando o homenzinho diz que vai tomar sua filha, pois é seu pagamento, nesses dois momentos do texto é explicito o sentimento de medo. Fala também de amor, no trecho onde a menina agora rainha, faz de tudo para conhecer o nome o homenzinho, todo esse esforço em amor a sua filha.
No inicio do conto é explicitado à dificuldade de ser criança, pois a menina é conduzida pelo seu pai a fazer o que ele ordena transformar palha em ouro, é especificada a fragilidade de ser criança. Por fim é falado sobre perdas e buscas, onde a rainha se ver perdendo sua filha por um instante, mas o homenzinho lhe dar uma chance de reverter à situação, a princípio perdida, porém a rainha se dedica com todas as ferramentas para virar e ganhar o jogo, e ganha.
Nessa perspectiva entendemos que o conto escolhido pela equipe, RUMPELSTILSKIN, contempla quatro característica explicitada no texto base da analise “Os Contos de Fadas vivem até hoje...”, fala do medo, do amor, das dificuldades de ser criança e sobre as perdas e buscas.


O trabalho com o conto de fadas foi fascinante...

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